Olá pessoas, meu nome é Julianna e hoje eu estou aqui a pedido da Bia para falar um pouco sobre o “curso” que eu escolhi para seguir.



Acho que antes de falar sobre ele eu tenho que voltar alguns anos atrás e explicar alguns fatos que me fizeram hoje escolher Design como sobrevivência. Bom, de ponto de partida devo dizer que na minha família apesar de existirem vários advogados, economistas, professores, dentistas e médicos todos tem um pezinho na arte. Na minha casa (por parte de mãe) todos são dedicados à pintura, escultura e obras utilizando vidro. Minha avó materna foi a grande influenciadora disso, apesar de ser professora ela tinha como hobby artesanato e pra ser mais especifica sua praia era esculturas de cerâmica. Já meu avô paterno é um artista plástico que se dedica a pinturas, esculturas e todo tipo de coisa relacionada à arte, além do meu tio mais velho que é um ótimo desenhista, apesar de ter escolhido abrir uma academia. 

Eu tinha aproximadamente 6 anos, minha família abriu uma empresa de festas infantis. Aquilo para mim era um sonho, afinal eu sempre podia escolher a festa que eu quisesse. Eu participei desse meio até meus 10 anos, onde além de ver meu pai cortando e montando figuras em isopor, minha mãe e minhas tias moldando as lembrancinhas de papel mache e minha avó comandando tudo e tendo as ideias, eu estava lá participando também! Cortava, enchia os balões, pintava entre outras coisas. Resumindo eu cresci respirando arte!

Quando eu tinha uns 13 anos, descobri minha paixão pela escrita e logo em seguida o mundo dos blogs, tumblrs e afins. Sempre fui uma pessoa com sede de curiosidade e enquanto eu não aprendesse aquela determinada coisa eu não sossegava. Mexia com códigos para alterar o layout da página até aprender e logo depois me envolvi no mundo da edição. PhotoScape, Photoshop, Movie maker, Camtasia,  Vegas pro e entre outros.

Chegando ao terceiro ano bateu aquela incerteza: Que curso escolher? Acho que a psicóloga do colégio não aguentava mais me ver em sua sala. Mudei exatamente 7 vezes o curso! Minha primeira opção foi Arquitetura, mas uma das minhas melhores amigas me falou uma coisa que realmente me marcou: “Julianna um engenheiro não precisa de um arquiteto, mas um arquiteto sempre vai precisar de um engenheiro!”. Isso me deixou realmente com uma pulga atrás da orelha e eu agradeço muito por ela ter me falado isso. Minha segunda opção foi Medicina Veterinária desisti no momento que minha psicóloga disse: “Sei que você ama animais, mas como reagiria se não conseguisse salvar um e ele morresse?” e naquele mesmo momento eu desisti sem pensar duas vezes. Minha terceira opção foi Moda, mas desisti na hora quando meu pai e minha mãe fizeram uma cara feia. Pra resumir minha escolha final havia sido Direita, a partir do momento que eu abri minha boca pra falar que eu seria uma futura advogada ou até mesmo uma juíza, minha família estava soltando fogos e naquele momento eu pensei: “Estão orgulhosos de mim, então eu estou fazendo a coisa certa!”, não sabia eu que naquele momento eu estava escolhendo o curso errado para mim.

Direito é um excelente curso, mas a prática é totalmente oposta à teoria. Amava a teoria de Direito até que eu comecei a vivenciar mais aquilo. Não pense que Direito é apenas gostar de ler e escrever, gostar de história e ter um bom discurso argumentativo, isso é tudo balela. Direto é saber manter-se instável para resolver os problemas dos outros. Ganha dinheiro? Depende do ramo que você escolher seguir. Minha mãe, por exemplo, é uma advogada autônoma, faz causas gratuitas para a população e/ou causas pagas. O que eu estou querendo dizer é que: As ações pagas demoram em sair, tem causas que duram anos! E se ela não tiver muitas causas para resolver o dinheiro demora a entrar. 

O momento que eu percebi que eu estava no curso errado foi quando havia trocado de faculdade e não tinha mais nenhum amigo por perto. Olhei em volta e pessoas desconhecidas me cercavam enquanto o professor tagarelava algo sobre Direito Tributário, olhava para o relógio muito com a ansiedade tomando conta de mim, precisava sair daquela sala e respirar. Quando não aguentei mais olhei para o teto e pensei: “O que eu ainda estou fazendo aqui?”.

Eu não soube responder aquela pergunta e passei mais um semestre inteiro tentando responde-la. 3 anos e meio haviam se passado quando eu “percebi” que Direito não era para mim. Não foi nada fácil eu me acostumar com a ideia de largar a faculdade, muito menos contar para os meus pais. Acho que a pior parte é essa: Falar com os pais. Não quero assustar vocês, mas a primeira coisa que meu pai falou foi: “Não acredito que você vai largar, foram quase 4 anos de dinheiro jogados fora!”. Juro que eu pensei que deveria esquecer tudo que eu havia pensado e voltar para terminar a faculdade de Direito, mas eu já estava no limite. Eu seria infeliz pelo resto da minha vida e tinha plena consciência disso, não queria passar minha vida presa em uma roupa social resolvendo os problemas dos outros e com minha cabeça fervilhando de criatividade que não podia ser liberada.

Depois de muita confusão meus pais aceitaram a condição que Direito e Julianna não combinavam e que apesar de tudo eu aprendi coisas no curso que levarei para toda vida e quem sabe eu posso continuar ele no futuro. Para resumir a história, eles me deram um semestre para pensar no que eu queria fazer da vida. Eu estava realmente perdida, não havia muitos cursos que eu me identificasse e naquele momento eu tive certeza que os cursos que eu havia descartado no terceiro ano não combinavam mais comigo.  O que definiu minha vida foi uma frase da minha mãe: “Julianna pegue sua rotina e os fatos da sua vida e tente transforma-los em um curso e veja no que acontece”. Foi ai que eu pensei: “Poxa, quais são os fatos da minha vida e qual é minha rotina?”. Eu fui minha própria psicóloga, tracei um esquema dos fatos e da minha rotina e no final deu algo mais ou menos assim: Envolvimento com arte, gosto de desenhar e pintar, sou criativa, viciada em redes sociais e apaixonada por edição de fotos e vídeos. A internet foi de grande ajuda, joguei no google e ele me devolveu duas opções de curso: “Publicidade e Propaganda”  e “Design”. Olhei ambos e pensei: “Como eu não havia pensado nisso antes?”. Acho que me chamei de burra durante o mês todo! 

Olhei detalhadamente os dois cursos. O curso Publicidade e Propaganda era bom, mas só mexia com a minha criatividade em coisas especificas. Quando eu li os detalhes e as cadeiras de Design me apaixonei! Foi paixão a primeira vista mesmo. Procurei todas as faculdades que ofereciam o curso e havia apenas duas na época e por sorte uma há duas quadras da minha casa. Destino? Tenho certeza que sim. 

O engraçado foi que o tema da minha redação do meu vestibular foi: “A justiça é para todos?”. Tive uma crise de riso e percebi que aquele era meu adeus ao Direito e o mandei literalmente para aquele canto. Entrei na faculdade e me empolguei mais ainda com as pessoas ao meu redor, pessoas que pensam como eu e que tinha uma trajetória de vida envolvendo a arte que batia com a minha. Cada dia eu me apaixono mais e não tem a menor possibilidade desse amor acabar. 

As matérias do meu curso são: Fundamentos da Comunicação, Fundamentos do Design,  História da Arte e do Design, Tecnologia da Informação Aplicada ao Design Gráfico, Tecnologias Aplicadas a Programação Visual, Fundamentos do Design, Arquitetura da Informação, Desenho Digital, Inglês Instrumental, Publicidade e Propaganda, Semiótica Aplicada ao Design Gráfico, Sistemas de Produção Gráfica, Tratamento de Imagens, Design de Impressos, Design para a Web, Direito e Ética Profissional, Fotografia Digital, Design de Interação, Design Multimídia, Cultura e Meio Ambiente, Design de Embalagens,  Design Editorial, Empreendedorismo e Marketing Digital.

Para quem gosta de edição e de arte vai amar esse curso, vale lembrar que esse curso que eu faço é superior, então eu vou receber meu diploma e a duração do curso são 2 anos e meio (5 períodos). Além da faculdade eu faço um curso chamado School of Art Game And Animation (SAGA), ele tem sede em vários estado do Brasil e possui 5 cursos: Start, sinapse, playgame, marquise e warpszone. Eu estou terminando o Start que é mais sobre edição, as matérias são: Introdução a Computação Gráfica, Pintura Digital, Illustrator, Arte Final e StoryBoard, Flash Animation, Premiere, AfterEffects e Maya. 

Como eu ainda não decidi o que eu vou fazer quando acabar o curso tenho várias opções: Ser freelance e desenvolver sozinha sites, papelaria (cartão de visita, logotipo da empresa, papel timbrado e etc.) e cuidar das redeis sociais. Trabalhar em alguma agência de Publicidade e fazer as edições e soltar minha criatividade desenvolvendo os trabalhos e os criando. Posso trabalhar em revistas e jornais fazendo além das edições a diagramação das páginas. Outra opção é ser uma criadora de games (A Saga oferece 3 cursos só voltados para game). Posso trabalhar em empresas grande fazendo o design do produto (embalagens, carros, joias e etc.) e também posso trabalhar fazendo o projeto digital (A Saga oferece o curso de Marquise) para arquitetos e engenheiros.

 Resumindo Design é vida! 

Aconselho a você que está perdido (como eu estava) a fazer uma relação de tudo que você gosta de fazer na sua rotina e os fatos importantes na sua vida e procurar um curso que o faça sentir vontade de trabalhar com aquilo para sempre. E lembrem-se: A opinião de seus familiares é importante, mas não são eles que vão conviver com a faculdade e com um curso que lhe deixa infeliz. 

A empresa de festas que minha avó possuía, mas assim que meu avô ficou doente e veio a falecer ela fechou. Hoje, junto com a minha tia e minha mãe estamos reabrindo ela. A parte que eu serei responsável será a de edição e a criação de personalizados em forma de lembrancinhas. 
Sinto-me satisfeita e não tenho nenhuma magoa ou receio de ter trocado de curso e eu espero que vocês se saiam bem o vestibular e mais do que tudo na vida!
    

Aqui tem alguns trabalhos que eu fiz: http://www.pinterest.com/juliannalira/
(Eu fico com preguiça de atualizar, mas vou tentar postar tudo que eu fiz)