Ontem depois da aula, eu pensei em como tudo mudou desde que eu deixei de ser aquela garotinha que assistia TV Globinho. Ok, eu envelheci, cresci e comecei a conviver com outras pessoas e até mesmo a fazer coisas que nunca pensei em fazer – como trabalhar –, só que dessa vez o pensamento fluiu diferente.

Sempre tive a mania de pensar no passado com uma tristeza gigante, aquela tristeza de saudade, de querer voltar no tempo, voltar no tempo para mudar coisas bobas como: O jeito que cortava cabelo, aquela franja esquisita, ou então, queimar aquela camiseta laranja que não me valorizava de nenhuma forma. Ou simplesmente, sempre desejei voltar no tempo, para calar essa minha maldita boca que fala sem pensar. Às vezes me dava vontade de abraçar aquelas pessoas que só ao meu passado pertenceram.

Mas ontem não teve nada a ver com isso.

Ontem, a angústia da saudade me invadiu a ponto de que me fazer querer mandar sms para todos os antigos amigos, ou então ligar para aquela amiga que por anos fora a minha única e melhor amiga, ligar só para ouvir a voz, para perguntar se a mãe dela estava bem, se a cachorrinha dela ainda era ranzinza, ligar só para ouvir a voz dela. Soou tão emotivo, cheio de saudade que nem combinou comigo, afinal, nunca fui o tipo de garota que sente muito, na verdade, eu nunca fui o tipo de garota que admite que sentir muito. Pareceu um pensamento tão triste e distante, que senti que tudo tinha (mesmo) mudado.

Percebi que os lugares que frequentei mudaram, as companhias mudaram, e que não foi só o meu cabelo que mudou, mas sim, eu por completo, mudei. Posso confessar? Foi estranho! Nunca tinha pensado para pensar nisso, só quando olhava as fotos do meu cabelo horrível com aquela blusa laranja.

Mas, sim. Eu mudei. Pensar nisso, me invadiu da saudade que nunca pensei em sentir, saudade diferente da que citei no segundo parágrafo. Surgiu àquela vontade – boa – de querer voltar no tempo, voltar não para mudar, ajeitar ou qualquer coisa do tipo, me deu vontade de voltar só para observar. Só para lembrar nitidamente de tudo, com todos os detalhes em mão, de preferência voltar no tempo com caneta e caderno para anotar tudo, sem deixar de fora nada.
Voltar no tempo para garantir que aquela música realmente tocou, se me senti tão bem como os meus devaneios nostálgicos denunciam, voltar no tempo para querer que aquele momento dure para sempre, de alguma forma.

Suspirei de saudade, de uma saudade que nunca senti.


POR: TAINÁ DOMINGUES


ps: Meninas a Tay agora faz parte da equipe aqui do blog, ainda não consegui colocar a assinatura dela, mas breve estara aqui. Beijos, sonhadoras.